O texto para reflexão que eu gostaria de compartilhar com vocês, é um texto bem conhecido, na verdade é uma parábola que Jesus contou para os publicanos e pecadores. Estes se aproximaram para ouvir um pouco sobre sua sabedoria e conhecimento. Ao mesmo tempo em que isso ocorria, os fariseus e os escribas – homens religiosos que detinham o poder e ‘autoridade’ sobre a Lei de Moisés – murmuravam uns com os outros, pois, Jesus era conhecido como um profeta – pelo povo, porém estava cercado de pecadores, este fato era inadmissível para homens de dura cerviz e com vidas de aparência.
Lucas 15.11-32 “11. Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. 12. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. 13. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. 14. E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. 15. Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. 16. E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada. 17. Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! 18. Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; 19. já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. 20. Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21. Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; 23. trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, 24. porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.
Neste tempo em que Jesus vivia, era comum as pessoas transmitir suas idéias através de histórias, ou contos – assim como o é até os dias de hoje – afim de que pessoas de pouco entendimento ou sem estudos compreendesse o que a mensagem tinha de ensinamento, para chegar na famosa ‘moral da história’. E essa parábola que se chama o “Filho Pródigo” veio após de duas outras: “A ovelha perdida” e “A dracma perdida”. As três tratavam exatamente do mesmo assunto, pessoas perdidas em relação ao Reino dos Céus. Pessoas que preferiram se afastar do Pai a fim de viver sua própria ‘pseudo-liberdade’ e tem sofrido com isso, ou tem-se frustrado. Pessoas onde quando são 'encontradas', há festa no céu.
Muitos julgam que o livre arbítrio é a melhor coisa do mundo, ter liberdade para falar, agir, pensar e literalmente ser o que der na ‘telha’ é fascinante, porém, há pessoas que não sabem lidar com esse tipo de liberdade, há pessoas que se esquecem de que as criou ou simplesmente por não ter consciência de onde vieram, fazem o que quiser de seu corpo e vida. Paulo disse: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” – I Coríntios 6.12.
No vers. 12, nesta parábola de Jesus, vimos que um jovem – filho mais novo de um pai – pede ao pai que ele lhe adiante toda a herança, para pode viver em paz, poder viver da forma que ele quisesse. Era tradição de nesta época, os filhos trabalharem juntamente com seu pai, para cuidar diretamente de seu patrimônio e ajudar a fazer crescê-lo, assim aprendiam como lidar com os negócios. Porém, o mais novo dessa história não queria trabalhar, e sim ‘farrear’ – diga-se de passagem, cena corriqueira nos dias de hoje – o pai que criou os filhos, permitiu que esse jovem fosse curtir sua liberdade, com seus bens.
Nos vers. 14 e 15, descobrimos que a crise financeira não é privilégio de nossos tempos, e cada vez mais se confirma o que alguns exegetas alegam – de que a história é cíclica – de que nada que não tenha acontecido no passado, não venha a se repetir no futuro. Esse jovem torrou todo o dinheiro que seu pai havia lhe dado, com bebidas, prostituição, ‘baladas’ e vida boa em geral, tudo regado do bom e do melhor – da mesma forma que acontece hoje em muitas famílias. Este mesmo jovem que até pouco tempo era rico ficara miserável, com fome, indo trabalhar do que na época para os judeus era de um dos piores trabalhos, apascentar porcos. Para os judeus, o porco era um animal considerado imundo e indigno. Só eram criados para comercialização, para a venda em outras etnias, eles mesmos não comiam carne de porco.
Este jovem fora trabalhar criando porcos, que não era nem seu. Um estado deplorável aonde ele chegou. Pode-se dizer que até ontem ele devia estar pagando bebidas aos ‘amigos’, saindo com as melhores garotas que podia pagar, mas na verdade o que tinha dentro dele era um puro vazio, uma vida sem esperança, uma vida que acabou ficando contaminada pelos seus atos, aonde literalmente chegou à lama, dividindo espaço com porcos. No vers. 16, mostra aonde ele realmente chegou, ele desejava comer a comida dos porcos, desejava se fartar dela, pois sentia fome. De um jovem, que tinha uma vida ‘light’ ao lado de seu pai, ele estava invejando a lavagem dos porcos.
Há pessoas que tem todas as oportunidades da vida para poder caminhar em paz, com tranqüilidade para o sucesso, para ter uma vida da forma que seus pais planejaram, porém têm-se regado de álcool, drogas, prostituição, jogos e até roubos e assassinatos – muitas vezes por pura aventura – para poder ser aceito em algum determinado grupo de ‘amigos’, para ser aceito em uma sociedade corrupta e imunda, deixando de lado os pais, os irmãos e verdadeiros amigos. Pessoas que parecem estar determinado a se autodestruir de uma forma tão abrupta que nem se lembram de onde que começou tal sentimento, por qual motivo tem auto-flagelado, por qual motivo tem caminhado por caminhos obscuros e escorregadios, pessoas que hoje sentem inveja da comida dos porcos, pessoas que sentem inveja daquilo que outros – em estado pior – têm se alimentado, pessoas que perderam sua identidade, sua auto-estima, sua saúde e pior, daquilo que tanto dizem ter conseguido: liberdade.
Se você é uma pessoa nesse perfil, eu preciso lhe dizer algo: você tem solução! Assim como esse jovem teve.
Nos vers. 17 e 18, este jovem ‘cai em si’, reflete o que fez de sua vida, lembra que tem um Pai. Ele lembra que até os empregados de seus pais tinham comida, eram mais bem tratados do que ele. Ele toma uma atitude, e este é um ponto chave de quem está nessa situação, QUERER SAIR DELA. Ele planeja como falaria com seu pai, como seria o encontro.
Pessoas que estão nessa situação, de tanto ser pisada, tem medo da atitude das outras pessoas, ainda mais das quais ela magoou, mas essas se você está nessa situação, precisas saber de algo: Não tenha medo!
Este jovem planejou pedir perdão ao seu pai, mas no vers. 20, quando o Pai, avistou que o filho voltava para casa, arrependido, abraçou-lhe, no estado em que este se encontrara e o beijou. Muitos pais há anos estão sem falar com os filhos, muitas vezes por falta de intimidade, por dura cerviz, ou por simples insensibilidade mesmo. Se tu for pai e está lendo esse texto, também preciso lhe dizer algo: não espere seu filho chegar ao fundo do poço para abraçá-lo, para beijá-lo. Faça hoje, pois amanhã pode ser tarde demais...
A primeira atitude deste pai foi colocar seu filho no devido lugar, vers. 22, ele o fez tornar seu filho novamente, vestiu-o, colocou anel nos dedos – significado de poder – e sandália nos pés – algo que poucos possuíam. O pai não questionou onde o filho havia andado, não julgou o filho, não o confrontou, ele simplesmente abriu os braços e o beijou – mesmo este estando em seu pior estado.
Este pai teve a sensibilidade de que havia ganhado uma batalha na vida, havia recuperado seu filho. Muitos pais hoje em dia jogaram a toalha, desistiram de seus filhos, seja o problema por drogas, álcool, prostituição, criminalidade ou simplesmente desleixo. Precisamos despertar para o que são extremamente importantes em nossas vidas, os filhos. Seja qual for o problema, nossa maior batalha sempre será vencida de joelhos, em oração. Sem ela, já entramos na batalha derrotados.
O pai mandou seus empregados pegar o melhor animal para poder fazer uma festa, ele tinha consciência do que havia acontecido, no vers. 24 ele declara “porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado”, ele conseguira trazer o filho de volta à vida.
Este texto acima é uma parábola, uma ilustração onde Jesus demonstrava as pessoas como era o Reino dos Céus, qual era a forma que Deus nos enxergava.
O pai dessa história, nada mais é do que o próprio Pai (Deus), o filho pródigo, nada mais é do que nós.
Somos aquele que nessa história queremos usar de nossa liberdade para poder fazer nossas vidas, não olhando para trás, não reconhecendo quem cuidava de nós. Muitas vezes achamos que temos amigos verdadeiros, estamos “por cima da carne seca”, porém o destino, mais cedo ou mais tarde, será estar invejando a comida dos porcos... Os porcos podem representar várias coisas, pessoas que estão na mesma situação que a nossa, por exemplo, ou ainda, pessoas que tem mais do que nós, mas são pessoas más, destrutivas, mas pelo fato de ter mais bens do que nós, a invejamos. São pessoas que não tem o mínimo de Deus consigo, e ainda sim estamos convivendo com elas.
Preciso lhe falar que, se tu tens saudade de quando tinha paz, de quando você tinha seus ‘direitos’ junto a Deus, está na hora de colocar a cabeça no lugar e tomar uma atitude, pois, assim como nessa parábola, temos um Pai – e o melhor de todos, pronto a nos abraçar, a nos beijar, da forma em que nos encontramos, sujos, cheio de imundice, de pecados, apto a cuidar de nós, apto a nos colocar no lugar de onde nunca devíamos ter saído. Temos um Pai em nossa espera, pronto a dar uma festa nos céus (Lucas 15.7 “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”), basta tu voltar para Ele, com o coração sincero, do mais Ele fará o resto.
Há quanto tempo você não sabe o que é estar com Deus?
Há quanto tempo você não ora a Deus?
Há quanto tempo você não ouve Deus falar contigo?
Tens sentido a presença D'Ele em sua vida?
Há quanto tempo você não agradece a Deus por sua vida?
Mesmo que ela esteja totalmente debilitada, frágil financeiramente, a família arrebentada, seu casamento indo pelo ‘ralo’, agradeça, pois hoje você tem a chance de sair do meio dos porcos e voltar para seu Pai, voltar para aquele que lhe criou, para aquele que o ama incondicionalmente. Mesmo que tu, tenha andado por caminhos mais escuros e sombrios, feito coisas que como dizem “Até Deus duvida!”, Ele está de braços abertos, pronto a te beijar.
Erroneamente muitas Igrejas têm colocado condicionantes para alguém voltar para Deus, tem colocado pedras de tropeço, mas verdadeiramente lhe digo, o que Deus quer é um coração quebrantado e contrito, um coração arrependido e apto a ser amado por Ele.
Deus te ama, assim, como tu estás.
Ele pode não concordar com os passos que tens dado até hoje, mas ele te ama, e quer colocar você em seu devido local, junto D’Ele.
Amém.
(Ouça a musica abaixo inteira, aproveite para se derramar na presença do Pai, para chorar, conversar com Deus, pois todos nós precisamos exercitar isso diariamente. Aba Pai!)
Bruno Percinoto.
blbpercinoto@gmail.com
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