Nossa carne é extremamente forte, e não cessa de nos confrontar com vontades que nos faz desviar da vontade de Deus. Em muitas às vezes, ela age em nosso momento de necessidade, ansiedade, frustração, dor e mágoa.
Não foram poucas às vezes que homens de Deus, ungidos por Deus – ou seus profetas – em suas necessidades deixaram a carne falar mais alto. Outras situações utilizaram a vontade carnal para satisfazer o ego, fortalecendo assim seu status, sua fama e poder.
Na passagem que veremos hoje, é uma passagem muito direta sobre desobediência, ansiedade e conseqüência. Veremos uma passagem sobre Saul, primeiro Rei de Israel, ungido pelo profeta Samuel, escolhido pelo povo e autorizado por Deus a reinar sobre seu povo.
Saul, apesar de todo o conhecimento bíblico que temos dele – por ser um homem inconseqüente – foi um bom administrador do reino de Israel, sendo menos oneroso e prejudicial à situação financeira do povo – do que Davi e Salomão – porém, seu ego falou mais alto nas horas decisivas, fazendo com que Deus ficasse em segundo plano, e isso gerou graves conseqüências à sua dinastia e ao povo.
Todas as vezes que Saul deveria esperar uma resposta de Deus, ele se precipitou, e errou. Veremos no texto abaixo uma dessas passagens:
I Samuel 13.8-14 “8. E esperou Saul sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se dispersava dele. 9. Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. 10. E sucedeu que, acabando ele de oferecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar. 11. Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, 12. Eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do SENHOR não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto. 13. Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o SENHOR teu Deus te ordenou; porque agora o SENHOR teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; 14. Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o SENHOR, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou.”
Samuel era um profeta, sacerdote e juiz sobre Israel, foi o último juiz sobre a terra de Israel. Depois de décadas que Israel era administrada/conduzida por um juiz, o povo pedia um Rei para comandar a nação, pois seus inimigos tinham reis e o porquê era mais ‘fácil’ para administrar e tomar decisões rápidas sobre questões de guerras. Pois bem, Samuel avisou quais seriam os contras também para o povo de ter um Rei sobre o comando, porem, o povo estava determinado a ser comandado por um líder e sua dinastia. Saul foi escolhido pelo povo, ungido por Samuel e aprovado por Deus, porém...
No vers. 8, vemos que Saul estava aguardando Samuel para realizar uma cerimônia, afim de confirmar diante do povo que Saul era Rei sobre Israel, porém, nesta época, era comum guerras entre nações, a disputa assídua por territórios e poder era extremamente comum e desgastante.
Neste momento, Israel estava sofrendo um forte ataque dos filisteus, e o povo sem um líder de guerra, estava perdido e se dispersava. Saul vendo que seu povo estava sendo oprimido, e se dispersava cada vez mais, não agüentou a ‘lombriguinha’ de esperar Samuel para iniciar o ritual de confirmação do seu reinado, resolveu ele, por conta própria, exercer uma função que não era dele, de sacerdote.
Ele como rei, achou que poderia resolver o problema de uma área que não era de fato a dele, uma consagração espiritual. Talvez pelo fato de ser autoridade máxima de uma nação, ele achou que estava acima de todos que viviam nela, e seus cargos.
No vers. 9, Saul faz o sacrifício da oferta e a consagra a Deus, de forma ilícita, pois não detinha autoridade para isso.
Muitas são as situações em que fazemos o que não nos cabe fazer, o que não temos autoridade a fazer, achando que estamos ajudando, e na verdade, estamos atrapalhando. Parecendo a situação de um cidadão que leva o carro na oficina no sábado de manhã, paga pelo serviço e acha que tem de ser o mecânico no lugar do mecânico, fica dando ‘pitaco’ no serviço que não sabe fazer, e ainda atrapalha que está executando o serviço, somente porque acha que está pagando, tem o direito de exercer a função.
Saul através da ansiedade passou por cima de um departamento que não era o dele, que era designado para uma pessoa que era consagrada a esse tipo de serviço, uma pessoa preparada, porém, como autoridade máxima de uma nação, achou que podia executá-lo.
No vers. 10-11, assim que Saul acaba de fazer o sacrifício, Samuel chega. Saul tenta recebê-lo, creio eu que de forma carinhosa e com a seguinte frase: “Ô meu amigo, você estava demorando, aê pra ajudar, resolvi adiantar o trabalho, pois sei que você também é um homem com muitos compromissos, então dei uma forcinha...”, porém, essa não era a vontade de Deus, não era o que Saul deveria ter feito. O combinado não sai caro.
Saul tentou se desculpar após ser reprovado por Samuel, colocou a culpa nos outros, dizendo que o povo se dispersava e que já não acreditavam na vitória, que o profeta havia se atrasado, que os inimigos estavam se aproximando... Tudo o que ele falou, ele mandou a responsabilidade do seu erro para os outros, não assumiu seu erro – aqui se distingue um verdadeiro homem de Deus – e não se arrependeu, preferiu justificar seu ato falho com a situação. Este ponto é um divisor de águas em nossas vidas, é onde separa o Santo do profano, é onde se separa o justo do injusto, aqueles que são de Deus e agradam sua vontade e aqueles que não são de Deus.
Homens e mulheres de Deus, erram, pecam, pisam na bola, mas assumem seus atos, assumem suas falhas, reconhece sua participação no erro e sabem que é Cristo quem os justifica, não nossas desculpas, não nossas historinhas. Saul teve a oportunidade de responder para Samuel da forma que agrada a Deus, porém, errou duas vezes seguida, e sendo o rei de uma nação, o problema se agravou.
No vers. 12, Saul demonstra que sua ansiedade em resolver as coisas, da sua forma, falou mais alto. Que atropelou as coisas, por pressa, por vontade própria. Ele mesmo confessa que fez sem orar, por pura pressão psicológica dos filisteus o perseguindo.
Esta parte, em particular, serve diretamente para minha pessoa, sou muito às vezes totalmente impulsivo, quero resolver as coisas de maneira rápida e eficaz, porém, em muitas as situações, o ‘tiro sai pela culatra’, o problema dobra de tamanho e se torna mais complicado de resolver. São muitas as pessoas que agem pela impulsividade, pela ansiedade, sem orar, sem jejuar, sem observar os preceitos e caminhos corretos, os atalhos normalmente nos atraem, e estes, são ciladas.
Saul sentiu-se na necessidade de dar uma resposta aos seus comandados, precisou mostrar para eles ‘quem estava no comando’, e esqueceu-se de quem tem de estar no comando é Deus, ele sentiu-se constrangido pelos filisteus estarem avançando e seu exercito fugindo, quis resolver por si só o problema, e fez da pior maneira.
No vers. 13, Samuel repreende duramente o rei, na frente de seus comandados, para todos verem que esta não foi a decisão correta, que Saul agiu impulsivamente e erroneamente.
Este versículo é extremamente interessante, pois vemos um sacerdote repreender o rei na frente de seus comandados, diferentemente de hoje em dia, onde ‘pseudos-sacerdotes/pastores’ afagam aqueles que deveriam ser repreendidos publicamente, tornando-se pior do que eles. Samuel tem uma postura de um homem de Deus, e que não teme a autoridade humana, e faz aquilo que Deus quer e não o que agrada aos homens, esse tipo de profeta, hoje é raro encontrar, e quando aparecem, aqueles – falsos profetas – que detém o poder na mídia, tratam logo de tentar derrubar, difamar ou pior, acusá-lo de mensageiro de satanás.
O papel do profeta em todo o Antigo Testamento é o de denunciar, confrontar aquilo que não está de acordo com as Leis de Deus, ao contrario do que se tem visto hoje, profetas que só querem profetizar bênçãos financeiras e prosperas em sua vida, serei bem claro, FUJA DESSES, POIS ESTES QUEREM SUA LÃ E CARNE. Se tiver alguma duvida sobre o que disse agora sobre profetas, leia Jeremias 28.5-19.
Samuel mostra qual seria o plano de Deus na vida de Saul com aquele ritual, e logo no vers. 14, revela o que Deus já estava fazendo. Aqui fica claro, que Deus conhece nossos corações, e sabe qual nossa índole e nossos passos. Saul tinha acabado de assumir o trono de Israel, e Deus autorizou isso, porém, o ritual que era de confirmação de seu trono tinha de ter uma simples norma estabelecida, e Deus sabia que Saul não cumpriria, e já tinha um plano para isso, já tinha encontrado um jovem, chamado Davi, que tinha o coração sincero e humilde para colocar no lugar de Saul.
Muitas vezes nós não entendemos o caminho que Deus quer que sigamos, e queremos trilhar nosso próprio caminho, porém, mesmo dessa forma, Deus continua a agir, continua a trabalhar para o bem daqueles que o ama, e de forma imparcial para aqueles que não querem compromisso com Ele. Deus permitiu que Saul reinasse em Israel, até preparar seu escolhido, Saul desfrutou do trono e, diga-se de passagem, administrativamente para o povo, foi menos oneroso que Davi e Salomão.
Deus avisou Saul que sua dinastia não tomaria posse do trono, porém permitiu que ele desfrutasse do mesmo. Isso pode ser espelhado em nossas vidas, em muitos os casos. Tem situações que resolvemos com a força de nosso braço, Deus não impede que nos aconteça deixa até desfrutar de tal situação, porém o vazio interior paira... A sensação de incapacidade torna-se cada dia maior, a frustração reina, pois sabemos que poderíamos ter feito diferente lá atrás, demos um grande peso à nossa carne, e deixamos o Espírito Santo de lado, e muitas vezes sabemos disso, que fizemos por impulso, por imaturidade, porém, não temos a mesma coragem para desfazer o que fizemos, ou ainda, mais simples, assumir o erro.
Essa foi a diferença crucial entre Saul e Davi, os dois foram reis, pecaram, porém a postura de cada um diante do seu erro fora totalmente oposta a do outro, Davi se retratou, Saul se explicou, como dizia um antigo gerente meu: “Explica, mas não justifica!”, um agia pela carne, outro pelo Espírito.
- Como tu tens agido? Tem sido por impulso, ou por muita oração?
- Quando você erra, pisa na bola, qual tem sido sua postura?
- No dia a dia, quem tem falado mais alto, a sua vontade ou a vontade de Deus?
Certa vez eu ouvi um pastor dizer – e muito sabiamente – que normalmente a vontade de Deus é aquela que nós não queremos fazer, lá no íntimo nós sabemos qual é, porém, não nos interessa, e muito menos agrada.
Orar, jejuar, sinceramente é uma pratica que eu não tenho muito costume, não sou ‘fervoroso’ em oração – digo, não tenho costume de extrapolar em oração – mas estou aprendendo... Não é fácil, mas é gratificante acertar o passo.
Paz,
Bruno Percinoto
blbpercinoto@gmail.com